terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Coisas de casados X Coisas de solteiros

Um ano de casamento já se passou, é engraçado lembrar deste tempo de ajustes e amor à flor da pele. Amor, por exemplo, é um termo que mudou de definição para mim. Quando solteira amor era romance: escrever poesia, presentear, falar palavras bonitas e dar beijos apaixonados. Hoje vejo que amor pode existir sem romance (em alguns momentos os dois também coexistem), por ser muito mais demonstrado na prática, por demandar esforço de qualquer um que queira amar. Por exemplo, um dia desses perguntei ao meu marido quando é que ele se sente mais amado e ele sem titubiar, respondeu que é quando eu lavo a louça nos dias que ele tem que levar trabalho para casa, depois de um dia inteiro na empresa (a louça é parte dele nas tarefas domésticas). Eu ri mas entendi. Faço isso porque o amo e também vejo muito amor quando ele me alerta, travando as portas e fechando os vidros do carro, para não descer naquele momento que está passando um cara muito suspeito. Então o romance vem nas horas em que namoramos, ficamos abraçadinhos no sofá, nos carinhos, palavras de incentivo, elogios...

Por isso hoje entendo quando Deus fala que "quem O ama segue os seus mandamentos", já que o amor se entende muito mais na prática de pensar mais no amado que em si mesmo. Na verdade, algumas passagens bíblicas ficaram mais claras para mim depois que casei.

Uma coisa com que eu tive que me acostumar foi como aproveitar o tempo juntos depois de casados. Quando solteiros nós tínhamos um sábado inteiro para namorar, sair ou fazer qualquer outra coisa para curtir o dia juntos, tínhamos que aproveitar este dia ao máximo porque o resto da semana não nos víamos, com exeção do domingo que íamos à igreja pela manhã e à noite.

Quando solteira, e principalmente na época do noivado eu só pensava em como seria bom quando pudéssemos nos ver diariamente, mas não imaginava que ver não seria ter tempo juntos. Quando casamos nos vemos todo dia, embora não todo o dia, e o pouco tempo livre que temos após o trabalho precisa ser dividido entre responsabilidades domésticas, comer, tomar banho e enfim descansar. Nem sempre se tem um tempo de qualidade só para os dois durante este período, quase sempre conversar sobre como foi o dia tem que ser durante o jantar ou na volta do trabalho para casa, ainda no carro. Para namorar, muitas vezes tem que se abrir mão de algumas outras coisas também importantes para o andamento da casa ou do trabalho.

Então até que eu entendesse que casamento é estar em constante "negociação" com o(a) parceiro(a), abrir mão de coisas importantes para ambos e ter jogo de cintura para não faltar com os compromissos diários, eu me senti muitas vezes insegura, achando que a rotina tinha nos tirado o romance que havia no namoro. Tive medo de virar aqueles casais, nos quais não queremos nos espelhar, que mais parecem estranhos morando na mesma casa, que não se tratam com carinho, que fazem piadas desrespeitosas um do outro em público. Sempre tive medo de ter um casamento infeliz como tantos que vejo por aí, e talvez por causa disso me esforce tanto em fazer o que for preciso para que não o seja.

Hoje procuro aproveitar ao máximo os poucos momentos diários em que podemos nos dedicar exclusivamente um ao outro, e tento entender quando isso não é possível. Aprendi principalmente que cada fase da vida tem suas peculiaridades e que é preciso entendê-las para saber curtir a felicidade que cada etapa proporciona. Entendi que se não criarmos expectativas além do que possamos alcançar, é bem provável que não nos frustraremos e que valorizar o que se tem nos traz mais felicidade do que buscar o que não se pode ter.

Um comentário:

Anônimo disse...

Melhor caracterizado, impossível... é realmente isso o que acontece... amei
PS. Não se preocupe... dizem que depois que vem os filhos, o tempo fica ainda menor... hehehe