quarta-feira, 12 de março de 2008

Vivendo

Dizendo sem explicar
Vivendo sem planejar
Andando sem esperar
Aguçando os sentidos.

Cantando mesmo em silêncio
Sorrindo no desespero
Amando sem ter medo
Desejando o mais difícil.

Jogando as velharias
Restaurando as ruínas
Indo sempre
Voltando quando preciso.

Nataly Azevedo 12-03-08

segunda-feira, 10 de março de 2008

Meninas

Eu vejo ruas sólidas

E casas geométricas

E janelas entreabertas de medo.


Eu vejo a menina negra

sentada na calçada,

Paralisada

Em uma quina da banca de revistas.


Fascinada com as cores

Fascinada com as letras

Que nunca haverá de ler.


Eu vejo em seus olhos

Seu desejo, seu medo

De tocá-las.


Eu vejo os pés

Ralados no asfalto

Unhas roídas.


Contraste

O preto no branco

De seus pés descalços.


Nas ruas

as nuas meninas

serão mulheres.


Um dia o desejo

Será diferente

Os olhos haverão de mudar de repente.


Os pés calçarão

O corpo, não

Unhas bem feitas,

Vermelhas.


Eu vejo seu futuro no Hoje

Em histórias que não leio.

Nataly Azevedo 02/06/2001