Eu vejo ruas sólidas
E casas geométricas
E janelas entreabertas de medo.
Eu vejo a menina negra
sentada na calçada,
Paralisada
Em uma quina da banca de revistas.
Fascinada com as cores
Fascinada com as letras
Que nunca haverá de ler.
Eu vejo em seus olhos
Seu desejo, seu medo
De tocá-las.
Eu vejo os pés
Ralados no asfalto
Unhas roídas.
Contraste
O preto no branco
De seus pés descalços.
Nas ruas
as nuas meninas
serão mulheres.
Um dia o desejo
Será diferente
Os olhos haverão de mudar de repente.
Os pés calçarão
O corpo, não
Unhas bem feitas,
Vermelhas.
Eu vejo seu futuro no Hoje
Em histórias que não leio.
Nataly Azevedo 02/06/2001